quinta-feira, 5 de abril de 2012

História do Dia Internacional da Mulher



História do 8 de março 

No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho. 

A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano. 

Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas). 

Objetivo da Data 

Ao ser criada esta data, não se pretendia apenas comemorar. Na maioria dos países, realizam-se conferências, debates e reuniões cujo objetivo é discutir o papel da mulher na sociedade atual. O esforço é para tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar, com o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços, elas ainda sofrem, em muitos locais, com salários baixos, violência masculina, jornada excessiva de trabalho e desvantagens na carreira profissional. Muito foi conquistado, mas muito ainda há para ser modificado nesta história. 

Conquistas das Mulheres Brasileiras 

Podemos dizer que o dia 24 de fevereiro de 1932 foi um marco na história da mulher brasileira. Nesta data foi instituído o voto feminino. As mulheres conquistavam, depois de muitos anos de reivindicações e discussões, o direito de votar e serem eleitas para cargos no executivo e legislativo. 

Marcos das Conquistas das Mulheres na História 

- 1788 - o político e filósofo francês Condorcet reivindica direitos de participação política, emprego e educação para as mulheres. 

- 1840 - Lucrécia Mott luta pela igualdade de direitos para mulheres e negros dos Estados Unidos. 

- 1859 - surge na Rússia, na cidade de São Petersburgo, um movimento de luta pelos direitos das mulheres. 

- 1862 - durante as eleições municipais, as mulheres podem votar pela primeira vez na Suécia. 

- 1865 - na Alemanha, Louise Otto, cria a Associação Geral das Mulheres Alemãs. 

- 1866 - No Reino Unido, o economista John S. Mill escreve exigindo o direito de voto para as mulheres inglesas. 

- 1869 - é criada nos Estados Unidos a Associação Nacional para o Sufrágio das Mulheres. 

- 1870 - Na França, as mulheres passam a ter acesso aos cursos de Medicina. 

- 1874 - criada no Japão a primeira escola normal para moças. 

- 1878 - criada na Rússia uma Universidade Feminina. - 1901 - o deputado francês René Viviani defende o direito de voto das mulheres.
Postagem: Fabio, Flavia e Maria Janete

Fonte:http://www.suapesquisa.com/dia_internacional_da_mulher.htm

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Igualdade de Direitos

Mulher é gente, não é presente

Quando eu saio de casa usando a camiseta das blogueiras feministas ["Feminismo é a ideia radical de que mulheres são gente"], as pessoas me encaram com frequência e ficam olhando para o que está escrito na camiseta, assustadas. Fica óbvio que nunca pensaram que mulheres são gente.
E realmente, faz bem pouco tempo que mulheres se tornaram gente. Já fomos coisas, objetos em propriedade do marido, do pai, ou do senhor de escravos. A vida – inclusive sexual – das mulheres estava vinculada à vontade desses homens. A lei mudou, mulheres hoje são gente e têm direitos, mas ainda brigamos pra não sermos mais tratadas como coisas. Por incrível que pareça, ainda há quem defenda que mulheres são coisas, objetos à disposição de seus proprietários. Nem sempre defendem isso abertamente, mas acabam por endossar atos e situações que negam a autonomia e vontade das mulheres.
É por isso que:
  • há quem mate a mulher que não quer prosseguir com o relacionamento (Eloá e mais outros milhares de mulheres, todos os dias, em todos os noticiários, caracterizando feminicídio) e há quem diga que a mulher mereceu o espancamento ou morte por ter sido desobediente (pois não deveria ter vontade própria)
  • há quem ache que mulher que goste de festas, bebe, fuma ou anda sozinha (ou sem um acompanhante do sexo masculino) na rua é mulher “pública” e, portanto, pode ser tratada como coisa e obrigada a fazer sexo contra a própria vontade. Nesse sentido, há quem considere que, se a pessoa quer participar de sexo grupal, ela perde o direito à própria vontade (em 2004 critiquei decisão judicial que defende esse absurdo)
  • há quem ache normal um programa de televisão ao vivo acompanhar ato sexual não consentido (pois a mulher estava desacordada), não fazer nada pra impedir e ainda procurar disfarçar o que aconteceu
  • Há quem ache ok as mulheres convidadas para uma festa serem tratadas como presente e estupradas pelo aniversariante (que era amigo delas!), como aconteceu em Queimadas (PB), pois se as mulheres saíram de casa estavam “procurando” por isso. A vida não deveria se resumir aos tempos do padre Antônio Vieira, quando ele afirmava que mulher só deveria sair de casa pra ser batizada, se casar e ser enterrada (gente tem o direito de ir e vir; para o padre, mulher não era gente). E deve-se tomar cuidado ao falar da própria casa como um ambiente sagrado e seguro, sendo que é palco de violência doméstica (que é tão comum e grave a ponto de precisarmos da Lei Maria da Penha pra tentar reverter esse quadro). É bom não esquecer que o caso de Queimadas chamou a atenção da mídia porque duas das mulheres estupradas foram mortas ao reconhecerem os estupradores. A vontade das mulheres foi desrespeitada, mas o que chocou e deu o ponto de partida para as investigações foram as mortes, e não os estupros.
Em todos esses casos as mulheres perderam o status de gente, se tornaram coisas até o ponto de serem reduzidas a “presente de aniversário”. Sua vontade e autonomia foram negadas, elas foram tratadas como objetos que deveriam se submeter a atos de violência, inclusive sexual. Mesmo as mulheres que escaparam do estupro em Queimadas foram tratadas como coisas: elas não eram “estupráveis” por serem propriedade dos seus maridos (um deles era o aniversariante).
Esses casos são uma pequena amostra do festival de desgraças que a gente acompanha ao lidar com o tema de violência contra mulheres. Fica nítido que muitas pessoas ainda acham que mulher não tem direito de escolha, pois não entendem que mulher é gente. Tantos séculos tratando mulheres como coisas gerou uma cultura que ainda ignora a vontade das mulheres, continua tratando-as como coisas e faz o possível e o impossível para proteger os agressores, como se só eles fossem gente. Aí coloca-se a culpa na vítima (vide o comentário do policial que resultou nas Marchas das Vadias), que perdeu o status de gente pra se tornar uma coisa à mercê do agressor. Ainda temos um longo caminho pra reconhecer efetivamente mulheres como gente.
O que me deixa mais esperançosa no caso de Queimadas é que as mulheres da Paraíba já demonstraram um bom grau de mobilização para não deixar casos de violência contra mulheres caírem no esquecimento. Sandra Azevêdo, no Simpósio Temático sobre feminicídio no Fazendo Gênero 9, apresentou um trabalho [PDF] mostrando como foi possível pautar a mídia para acompanhar os casos de violência contra mulheres e tratá-los como violência de gênero. Espero que esse trabalho das feministas paraibanas continue, e que nós de outras regiões possamos aprender com elas, pois é extremamente necessário esse processo de mostrar que mulheres são gente e têm o direito de ter sua vontade respeitada.
Este post faz parte da blogagem coletiva Blogueiras Feministas e LuluzinhaCamp em repúdio aos estupros de Queimadas e à violência contra mulheres


Fonte:http://cynthiasemiramis.org/2012/02/17/mulher-e-gente-nao-e-presente/

Os direitos das mulheres só existem quando o Estado é laico

Durante muito tempo as políticas de Estado para mulheres foram definidas a partir da visão religiosa de mundo, especialmente a cristã e, mais especificamente ainda, católica. Nessa perspectiva, as mulheres seriam inferiores e por causa disso deveriam se submeter eternamente ao marido (o divórcio era proibido) ou pai, e não poderiam ter direitos políticos. Casamento e maternidade eram tratados como as únicas formas possíveis de vida feminina. O direito à educação só deveria existir para treinar mulheres para a maternidade e administração do lar, pois se considerava que o trabalho intelectual impediria a gravidez. Com isso, as mulheres foram relegadas ao analfabetismo ou a uma educação escolar rudimentar. As mulheres que não se encaixavam nesse modelo (lésbicas, prostitutas, mães solteiras, mulheres separadas do marido, etc) foram (e ainda são) perseguidas tanto pela religião quanto pelo Estado.
O Estado laico pune quem discrimina mulheres, cria leis para garantir direito de voto, de estudar, de trabalhar e para diminuir a desigualdade de gênero. O Estado laico incentiva escolas mistas, seculares, com a mesma educação para meninas e meninos. O Estado laico vê as mulheres além da questão reprodutiva, criando políticas públicas de atenção integral à saúde (e não apenas ligadas aos órgãos reprodutivos). O Estado laico exclui das leis termos e posicionamentos pejorativos criados em uma época em que o Estado incorporava o preconceito religioso para separar as mulheres em duas categorias: as que seguiam o modelo religioso e por isso deveriam ser protegidas pelo Estado, e as que não seguiam a religião e por isso ficavam à margem da proteção estatal. Juízes em um Estado laico interpretam a lei de forma a não incorporar preconceitos religiosos.
Leia o artigo completo no site da Revista Fórum.

Fabio, Flavia e Maria 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

MUDAR O FUTURO ATRAVÉS DA HISTÓRIA

Plano de Ação

Objetivo Geral da Ação
Mostrar as crianças do jardim de infância: Ruth Alice, localizado à Rua: José Filipe da Silva, Alegre ES.
O quanto é importante valorizar a raça negra, pois foi dela que nasceu o desenvolvimento do país, através dos negros que desde o tempo da escravidão doavam todo seu talento para produzir os materiais necessários a satisfação das necessidades e desejos de seus donos, que apesar de tratá-los com profunda falta de humanidade eles não se revoltavam, uma vez que não tinham consciência da segregação a qual eram submetidos. Então embasado nessa história lamentável, é preciso que se organize  ações que venham ao encontro da falta de respeito com a raça negra e mostrar o seu valor através de atores com uma visão ampla das injustiças sofridas pela raça negra. Nesse contexto surge a necessidade de desenvolver projeto para ensinar as crianças dessa instituição a técnica de fabricar a boneca Abayomi a partir de tiras de tecido que possuem custo baixo, porém se desenvolver a produção com base na história dela,  o valor conscientizador será imensurável.

Justificativa

Ainda em nossos dias e apesar das mudanças ocorridas no país quissá no mundo através de leis e estatutos que defendem a igualdade, nada tem sido capaz de erradicar a segregação, que só mudou a forma de se mostrar e hoje é praticada de forma velada e talvez mais abjeta que outrora, uma vez que, seus praticantes não podem alegar o princípio da ignorância, pois a mídia mostra todos os dias, fatos esclarecedores a respeito do assunto.
Uma das causas do negro ainda hoje sofrer discriminação racial é o fato de não buscar conhecimento aprofundado sobre a verdadeira e única história dos negros, pois é sabido que o conhecimento é o melhor caminho para chegar a verdade e a liberdade, ao conhecer a sua história o negro verá o quanto ele foi e ainda é  importante para essa nação que só obteve evolução depois do envolvimento do negro na produção, físico, cultural e intelectual.

Postada por MARIA JANETE DO CARMO

domingo, 11 de dezembro de 2011

Movimento negro e movimento de mulheres negras: uma agenda contra o racismo.


O crescente êxito da ação coletiva negra tem dependido cada vez mais de sua habilidade para aliar-se a setores da sociedade civil e do Estado, que até pouco tempo atrás conferiam pouca atenção às demandas do movimento.  As investidas na esfera pública nacional alteraram significativamente as relações entre “raça” e política na sociedade brasileira nos últimos anos. O trânsito de militantes negros/as no poder executivo, legislativo, o acesso constante ao judiciário, a existência de órgãos públicos destinados exclusivamente às chamadas “políticas de igualdade racial”, o progressivo engajamento de deputados/as e senadores/as negros/as nas pautas do ativismo sugerem campos de ação jamais vistos na história política brasileira.
Por outro lado, articulações internacionais têm sido cada vez mais as marcas das organizações negras, especialmente com relação ao financiamento (TELLES, 2003), à inserção nas conferências internacionais (SANTOS, 2005), ou às redes de ativismo via internet e coletivos políticos (SEBASTIÃO, 2007).  Além da expansão do movimento para fora das fronteiras do país, há evidências flagrantes de um processo de institucionalização do movimento, o que o habilita profissionalmente a negociar com os formuladores da política institucional no Brasil contemporâneo.
Nesse sentido, entramos numa nova fase da política dos movimentos sociais. Para além das reivindicações, os/as ativistas, bem como suas organizações formam uma ampla rede de controle do poder público. Cada vez mais, o movimento torna-se incisivo na proposta de garantia da igualdade racial, não aceitando nenhuma ação que possa discriminar pessoas seja por seu pertencimento étnico, seja por suas características físicas. Com efeito, com cerca de um século da mobilização coletiva em favor da cidadania para a população negra neste país, o movimento negro moderno agora passa por uma fase que é a de fortalecer e ampliar as reivindicações em favor de políticas públicas direcionadas à redução das desigualdades, focalizadas em gênero e raça, promovendo, assim, o universalismo dos direitos sociais, sem desprezar o pluralismo existente em nossa sociedade.


Saiba mais em: 
http://www.leliagonzalez.org.br/material/Acao_e_Pensamento.pdf 

Articulação de Mulheres Negras: – com apoio da UNIFEM, foi formada a Articulação de Mulheres Negras Brasileiras para fortalecer as organizações de mulheres negras no Brasil e seu trabalho de implementação e monitoramento dos compromissos de Durban (2001). Dentre as atividades da Articulação, se destacaram:
1) estratégias de comunicação para dar visibilidade às desigualdades de gênero e raça e aos compromissos assumidos pelo Governo Brasileiro em Durban. Para isso foi produzida uma revista de circulação nacional, distribuída para ativistas do movimento de mulheres negras, movimento feminista, movimento negro, parlamentares e outras autoridades, com repercussão muito positiva.
2) a participação das mulheres negras na elaboração do Relatório da Sociedade Civil sobre o cumprimento da CEDAW pelo Governo Brasileiro.
3) o Seminário Reformas: Raça, Gênero e Políticas de Inclusão Social, Brasília, 13 de maio de 2003, promovido pela Articulação de Mulheres Negras e o Senado Federal, para sensibilização dos setores públicos e a participação das mulheres negras no processo de discussão sobre mecanismos para incluir as dimensões de gênero e raça nas reformas.
Foi criada também uma rede de comunicação virtual, no processo preparatório da III Conferência Mundial contra o Racismo (Durban), com o objetivo de estabelecer um canal de informação entre as mulheres negras organizadas, a comunidade negra em geral e pessoas interessadas na discussão dos temas dentro de perspectiva feminista negra. Nesse espaço, são discutidas questões relacionadas às discriminações de gênero, raça e classe, bem como outros temas de interesse dessa comunidade.  Mantém-se um ambiente de trocas de opiniões, planejamento de ações, discussão de políticas públicas, divulgação de agenda.

Casa de Cultura da Mulher Negra (1990): – foi fundada em Santos, depois de cinco anos de ações do Coletivo das Mulheres Negras da Baixada Santista. Pensando na sustentabilidade financeira para mulheres, o local escolhido para a sede foi um bairro de classe alta e desde o início foram dadas formações em culinária e artesanato africanos, visando à instalação de um restaurante com culinária africana e uma loja de roupas com estilo afro. Nessa linha, foram feitas oficinas de formação de mulheres para geração de renda. A Casa mantém o Centro de Documentação e livraria Carolina de Jesus; produz livros, materiais e a revista Eparrei, que aborda várias temáticas ligadas às questões das mulheres, tais como violência doméstica e direitos das mulheres.

Criola (1992): - é uma organização da sociedade civil conduzida por mulheres negras, a partir da defesa e promoção de direitos das mulheres negras em uma perspectiva integrada e transversal. Tem como missão instrumentalizar mulheres, adolescentes e meninas negras para o enfrentamento do racismo, sexismo e lesbofobia (discriminação contra lésbicas) e para o desenvolvimento de ações voltadas à melhoria das condições de vida da população negra.

Fala Preta (1997): – tem como missão promover o desenvolvimento humano sustentável, buscando a eliminação de todas as formas de discriminação e violência, especialmente a discriminação étnico-racial e a de gênero, com base nos princípios éticos da igualdade, equidade e justiça, na promoção da qualidade de vida e no respeito aos direitos humanos e reprodutivos.

Fórum Nacional de Mulheres Negras: - O Fórum é composto por mulheres negras das mais variadas origens: ativistas autônomas, representantes de entidades, que participam da luta para afirmar o direito à vida plena, livres de intolerâncias étnico-raciais, de sexualidade-gênero, de credo ou classe social; em um meio ambiente preservado, com direito a lazer, trabalho digno e razoável, com saúde e qualidade de vida, garantido o direito de comunicação.

Geledés – Instituto da Mulher Negra (1988): - é uma organização política de mulheres negras que tem por missão institucional a luta contra o racismo e o sexismo, a valorização e a promoção das mulheres negras, em particular, e da comunidade negra em geral. O Instituto vem, nesses anos, consolidando as discussões sobre as questões da mulher negra como aspecto fundamental da temática de gênero na sociedade brasileira, sobre a necessidade de adoção de políticas públicas inclusivas para a realização do princípio de igualdade de oportunidades para todos/as. Em sua história, a Organização registra intervenções políticas nos âmbitos nacional, regional e internacional, com o objetivo de denunciar o racismo existente na sociedade brasileira e sensibilizar governos e sociedade civil para a discussão do processo de exclusão das populações pobres e discriminadas no mundo.

Grupo de Mulheres Negras Mãe Andresa (1986): - tem uma trajetória na conquista dos direitos das mulheres negras maranhenses e brasileiras. Sua missão é incentivar e fortalecer a organização e o protagonismo das mulheres negras, por meio da formação político-social, do empoderamento e da projeção dessas mulheres na sociedade.

Maria Mulher (1987): - é uma organização feminista, coordenada por mulheres negras com formação e experiências diversas, favorecendo a realização de um trabalho interdisciplinar. Desde a sua fundação, Maria Mulher vem pontuando a defesa dos direitos das mulheres e a luta pela melhoria das condições de vida da população afrobrasileira.

Neomalthusianos: – são os seguidores da Teoria Populacional Neomalthusiana, uma atualização da teoria criada pelo demógrafo Thomas Malthus. Para esse grupo, a causa da pobreza e do subdesenvolvimento dos países é seu crescimento populacional, sua superpopulação, elevando os gastos com as políticas sociais, esgotando os recursos naturais e dificultando investimentos em setores produtivos e consequentemente gerando desemprego. A partir dessa idéia, surgiram vários estudos e propostas neomalthusianas. O grupo defende o planejamento familiar.


Postado por Cristiane Alves Almeida (Krystal), Fabio Gomes Zampieri e Flavia Ribeiro Oliveira Zampieri

O percurso do conceito de raça no campo de relações raciais no Brasil.



De fato, abordagens teóricas recentes sobre a temática têm sido de enorme pertinência no sentido de aproximar etnicidade e nacionalidade, sempre com o objetivo de enfatizar e, assim, resgatar a interpenetração existente entre noções como raça e cultura no contexto do Estado-nação moderno, ressaltando, inevitavelmente, o papel dos construtores de mitos e raças que embasam ideologias nacionalistas na sua busca pela homogeneidade. Assim se constituindo, ela é um modelo para a solidariedade que definirá o grupo social como unidade cultural com uma identidade específica. Assim, a nação produz um sentimento de inclusão que faz com que os indivíduos apercebam-se de seu estilo próprio e se sintam parte de uma coletividade que historicamente o produziu. Quer dizer, a nação como produto da mentalidade coletiva torna se objeto para o sociólogo na medida em que explicita, muitas vezes ardentemente, o grupo social como uma unidade concebida que, em lhe atribuindo identidade, evidenciam-lhe os traços de sua história e de sua cultura.



Postado por Cristiane Alves Almeida (Krystal), Fabio Gomes Zampieri e Flavia Ribeiro Oliveira Zampieri

Ação sócio e educativa Trabalhando o Racismo das Crianças Quilombola da Comunidade Monte Alegre.


PLANO DE AÇÃO  


Objetivo Geral da Ação:

O objetivo deste trabalho é o de analisar buscando uma, dentre as possíveis compreensões dos significados de ser criança negra e quilombola na Escola e no Quilombo, e as conseqüências desses significados no processo de construção da identidade.
Fazer uma socialização das crianças quilombola com as demais crianças da região trabalhando valores e cultura e a importância da troca de conhecimento e vivencia entre pessoas. 

Justificativa:

Faz­se  necessário para  formação da  identidade consciente  da  criança negra e branca a valorização de  suas raízes e  dos valores dos seus ancestrais, pois estes têm requisitos tão importantes para a construção desta nação quanto à identidade dos demais povos. O fato de elas serem crianças negras ou brancas quilombolas ou não o que confere a elas uma singularidade, pois trata de sujeitos que vivem uma condição duplamente subjugada e inferiorizada.

Postado por Fabio Gomes Zampieri e Flavia Ribeiro Oliveira Zampieri

Aumento da participação da mulher negra na política

As mulheres negras contribuem muito para a política brasileira e ainda  fazem um esforço ferrenho para a construção de políticas públicas. Fazem mais pela sociedade do que o contrário. A sociedade não sabe tratar as mulheres negras e com isso perdem com a falta de políticas específicas, não somente a mulheres negras, mas a todas as mulheres. A igualdade de condições precisa ser para todos. Exigir isso é uma questão ética.
Em 31 de outubro de 2011, o mundo passou a ser habitado por 7 bilhões de pessoas, onde serão colocadas nesta terra que está a cada dia com menos espaço e com mudanças climáticas, desníveis e a cada momento uma novidade não muito boa, principalmente em relação ao meio ambiente.
Aumenta a participação dos negros na política

Apesar do modesto crescimento de 3% da bancada negra ou afrodescendente – que pulou de 5% para 8,5% em 2011 –, com 43 deputados eleitos, a Frente Parlamentar da Igualdade Racial pode chegar a 220 deputados, número que mostra uma relativa força política do Movimento Negro para votar matérias de interesse da comunidade negra. No entanto, cresceu em 3% a participação dos negros na política brasileira, que era de apenas 5% na última eleição de 2008. Em 2010, o Congresso Nacional elegeu 43 deputados e deputadas negros, chegando ao índice de 8,5% de negros no Parlamento brasileiro. O PT continua sendo o partido que mais elege negros no país: nas eleições de 2010, elegeu quase a metade dos 14 parlamentares autodeclarados afros. Em seguida vem o PMDB e PRB, partido do ex-vice-presidente José Alencar, com seis eleitos. Já o PCdoB, quatro; e PR, PSC, DEM, PSB e PTB elegeram apenas um deputado cada.
Merece destaque no apontamento (Balanço eleitoral do voto étnico negro) feito pela Unegro – União de Negros Pela Igualdade – o fato de no PRB estar despontando uma geração de lideranças políticas negras oriundas de importantes grupos evangélicos, muitas delas, inclusive, ocupantes de cargos da alta cúpula das principais igrejas, como Igreja Universal do Reino de Deus e Evangelho Quadrangular.(*Alexandre Braga é articulista, coordenador de Comunicação da Unegro (União de Negros Pela Igualdade) e tesoureiro do Fomene (Fórum Mineiro de Entidades Negras).
Postado por Cristiane Alves Almeida (Krystal), Fabio Gomes Zampieri e Flavia Ribeiro Oliveira Zampieri

Homens que fazem a diferença


Abdias do Nascimento, militante de longa data, que em 1968 havia se exilado nos Estados Unidos, onde foi professor em várias universidades. O fato de ser apontado como “conhecido racista negro” pelo relatório do SNI é um dado interessante e pode ser explicado pela forte atuação do movimento negro, naquela época, no sentido da denúncia do chamado “mito da democracia racial”, isto é, da ideia de que não haveria racismo no Brasil. Como Abdias do Nascimento, de acordo com o SNI, denunciava um racismo “inexistente”, ele mesmo seria racista. Outro documento, de janeiro do mesmo ano de 1978, advertia: “Esses movimentos, caso continuem a crescer e se radicalizar, poderão vir a originar conflitos raciais”.
Abdias, que nasceu em 1914, viveu intensamente seus 97 anos de lutas. Luta como soldado, nas revoluções de 30 e no levante paulista de 32, luta para se formar economista, em 38. A luta contra o Estado Novo e contra o racismo o levam, em 1941, à Penitenciária de Carandiru, onde cria o Teatro do Sentenciado, organizando um grupo de presos que escrevem, dirigem e interpretam.
E não pára nisso. Cria o Teatro Experimental do Negro, interpreta no teatro e no cinema – Orfeu da Conceição, que virou Orfeu do Carnaval foi um de seus trabalhos mais conhecidos.
Obrigado pela ditadura a deixar o país, torna-se Conferencista Visitante da Universidade de Yale University,em 69. Um ano depois funda a cadeira de Culturas Africanas no Novo Mundo, na Universidade do Estado de Nova York. (CENTRAL DE MOVIMENTOS POPULARES RJ)
Postado por Cristiane Alves Almeida (Krystal), Fabio Gomes Zampieri e Flavia Ribeiro Oliveira Zampieri

A CONSTRUÇÃO HISTÓRICA DA IDÉIA DE RAÇA


No século XX viu-se a ascensão e independência dos países asiáticos e africanos, este último os mais sofridos na era da escravatura na Europa, estas conquistas aconteceram de 2 formas: pela política de concessões de autonomia e pelas lutas de independência., produzindo ideologias centradas na produção de uma identidade comum africana como símbolo de luta contra o racismo. Lembrando que essas obras foram feitas por intelectuais a ativistas africanos.
O apartheid foi parte significativa da separação racial na África do Sul, que teve como o mais famoso militante, Nelson Mandela, que passou 25 anos preso, enquanto solto lutou pelo seu povo, sua gente, sua cor.
 Diante do que nos passa esse módulo, das origens do termo racismo, tipo de raças, etnia, é perceptível que tínhamos pouco ou quase nenhum subsídio para citar se é ou não correto dizermos raça negra, raça branca etc. Com o aprofundamento e com a base da apostila pude verificar que a história remonta ao século XIX, daí para frente nos apresenta variados contextos, nacionalismos, imperialismo, etnocentrismo, o classismo etc. Autores e atores que passaram pela dificuldade de conhecer, aceitar, servir. De como a cultura, a natureza, tipos e costumes definiam quem eram os de raça superiores ou inferiores.
Postado por Cristiane Alves Almeida (Krystal), Fabio Gomes Zampieri e Flavia Ribeiro Oliveira Zampieri


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

MUDANÇA DA REALIDADE ATRAVÉS DO CONHECIMENTO

Justificativa

Devido a fatores históricos, as mulheres de forma geral têm dificuldades de inserir-se no mercado de trabalho de forma igualitária, e em particular, entre as negras, essa dificuldade ainda é maior pelo fato de que durante séculos foram massacradas pelo sistema machista que entre muitas injustiças, a de maior relevância, foi a de serem consideradas como instrumento de prazer pelos seus senhores. Essa triste realidade ainda perdura, porém de forma mascarada, pelo fato de hoje existirem leis que coíbem todas as formas de discriminação. Mas isso não resolve os problemas, uma vez que fugir da realidade só aumenta a gravidade dos fatos. Então torna-se necessário desenvolver políticas efetivas capazes de mudar esse quadro desolador instalado no seio da humanidade.  Esses fatores foram cruciais para decidir montar um plano de ação o qual possa mudar a realidade das mulheres negras pertencentes à casa espírita AMOR EM JESUS, através da formação profissional.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

AS MULHERES NEGRAS E AS POLÍTICAS PÚBLICAS

Mesmo observando avanços alcançados pelas mulheres no mercado de trabalho,  isso a nível familiar como a nível profissional, este avanço é muito restrito quando  se observa a situação da mulher negra. Neste contexto, existem poucas mulheres negras trabalhando como executivas,  médicas, enfermeiras, juízas, advogadas dentre outras profissões que o meio social considera como de destaque.

Mesmo aquelas que possuem diploma universitário, sofrem as situações de discriminações do  mercado. Dentre essas, muitas não conseguem exercer a profissão que se empenharam na universidade  e assim continuam(em sua maioria) exercendo as mesmas profissões que imperiosamente o passado  lhes condicionou.
Mesmo diante dessa situação, por diversas vezes, a mulher negra têm se mostrado como aquela que mantém da família, não só no contexto atual, em que sozinha criam e educam seus filhos, como ocorrido no  passado.

Quanto a saúde, segundo Silva Santos(2009), o percentual de mulheres negras que não possuem acesso ao exame ginecológico está em torno de 10%, o que é  superior ao número de mulheres brancas; 44,5% das  mulheres negras não tiveram em énmbrancas; entre 2000 e 2004, a infecção por HIV/AIDS aumentou de 36% para 42,4% entre as mulheres negras, em relação a população feminina branca, a incidência de casos  acabou diminuindo, neste período. 

Ao se fazer uma análise mais apurada em relação a efetivação dos direitos das mulheres negras, isso se torna dramático, pois a representatividade política destas é muito pequena, configurada na situação de que não há um contingente significativo de mulheres negras no parlamento. Isso  resulta muitas vezes na falta de criação e concretização políticas públicas voltadas para  esta parcela da população, que muitas vezes são implantadas de forma genéricas, e no contexto de desigualdades social, racial e de gênero é necessário a realização de políticas públicas de cunho específico para as mulheres negras, pois estas são vulneráveis a ocorrências de violação de direitos humanos. 

domingo, 9 de outubro de 2011

Movimentos de Mulheres


Na história do Brasil, mulheres estiveram presentes em movimentações políticas e culturais desde as lutas coloniais. Mulheres negras envolveram-se na resistência à escravidão e em movimentos abolicionistas, trabalhadoras da cidade e do campo participaram das primeiras lutas sindicais, mulheres de distintas classes instituíram uma agenda de emancipação feminina desde o século XIX, exigindo direito ao trabalho, à propriedade e à herança, à educação, à criação artística e literária, à participação política e ao voto feminino - conquistado, finalmente, em 1932.
Nos anos 1960, novas inquietações se instalam entre as mulheres brasileiras. Em 1964, um golpe militar instaura um regime ditatorial, cerceando liberdades democráticas e instaurando a censura e a repressão política. Paralelamente, o país se industrializa, urbaniza e moderniza aceleradamente, e alteram-se os estilos de vida, as dinâmicas familiares, os padrões de fecundidade, as formas de consumo e modos de acesso à informação. As mulheres não ficam passivas a esses acontecimentos. Engajam-se ativamente nos debates políticos e culturais da época: querem ter autoria na transformação da sociedade e das condições de sua participação nela. Movimentam-se cada vez mais pelo mundo da política, das artes, da literatura, da técnica, da ciência e da comunicação. Podemos vê-las mais e mais presentes no mundo profissional e na educação superior. Pouco a pouco sobressaem no comando da administração pública e da gerência privada. E compõem a primeira linha da resistência contra a ditadura militar. 
Ano 1975. A Organização das Nações Unidas o consagra como o Ano Internacional da Mulher. No bojo de suas comemorações, deslancha uma nova onda do ativismo feminista brasileiro. Mulheres organizam-se em grupos de reflexão, movimentos estudantis, movimentos urbanos, partidos clandestinos de resistência à ditadura, movimentos pela anistia, comunidades de base e sindicatos. Brasileiras retornadas do exílio vêm somar-se a elas, a partir de 1979, trazendo na mala as contribuições do debate feminista no exterior. De norte a sul do país, grupos de mulheres organizam oficinas de autoconhecimento, promovem debates, realizam manifestações de rua, fazem denúncias, publicam jornais alternativos e desenvolvem pesquisas. 
Nosso corpo nos pertence! Quem ama não mata! O pessoal é político! São motes que mobilizam corpos, corações e mentes e que ainda ressoam nas gerações feministas mais novas! A vida cotidiana está em transformação. Discute-se o divórcio, a violência doméstica, a sexualidade, o aborto, o estatuto civil das mulheres. As fronteiras entre o público e o privado, entre o político e o doméstico - barreiras milenares à participação política e à autonomia das mulheres - começam a estremecer. Os anos 1970 ficaram na história como um marco político e simbólico da formação das gerações feministas que conduziriam a bandeira da cidadania e da emancipação das mulheres ao século XXI.
Anos 1980. Em curso a transição política brasileira. Retorno dos exilados, volta ao pluripartidarismo, eleições livres nos estados e capitais. Movimentos sociais invadem o cenário: feministas, negras e negros, periferias urbanas, ambientalistas, trabalhadores rurais, indígenas, novos sindicalismos. Corpos e almas femininos e masculinos também se movimentam entre o som das Frenéticas, tangas de crochê, o boom dorock nacional e poesias de Ana Cristina César e Paulo Leminski. Política e cultura redesenham suas fronteiras, seus estranhamentos e permissividades. 
As mulheres são presença crescente dentro e fora dos lugares tradicionais da política: dialogam com o Estado, partidos e parlamentos; plantam seus temas nas agendas políticas gerais e tomam parte nas negociações da transição; destacam-se nos mundos sindical e artístico e invadem os universos acadêmico e profissional; criam organizações não-governamentais e inauguram a tradição dos congressos de mulheres e encontros feministas. 
Criado em 1985, o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher fortalece a presença feminista no debate político nacional e, junto como os movimentos sociais, articula a participação das mulheres no processo da Assembléia Nacional Constituinte (1986-1988). Constituinte pra valer tem que ter palavra de mulher! Esse é o lema do lobby do batom, força-tarefa que reúne mulheres dos mais variados partidos e movimentos sociais. Elas elaboram emendas populares e recolhem milhares de assinaturas por todo o país, debatem com deputados, partidos, autoridades do executivo e do judiciário e com a sociedade civil. A Carta das Mulheres Brasileiras para os Constituintes, entregue durante solenidade no Congresso Nacional, foi a primeira plataforma política feminista para a sociedade brasileira, trazendo propostas pertinentes a todas as cidadãs e cidadãos brasileiros. 
No longo caminho de construção da cidadania das mulheres, aConstituição Cidadã de 1988 representa um marco histórico: proclama a igualdade jurídica entre homens e mulheres; amplia os direitos civis, sociais e econômicos das mulheres; estabelece a igualdade de direitos e responsabilidades na família; define como princípio do Estado brasileiro a não-discriminação por motivo de sexo, raça e etnia; proíbe a discriminação da mulher no mercado de trabalho e estabelece direitos reprodutivos. 
No decorrer dos anos 1980, os valores, os conceitos, a vida cotidiana, a articulação público/privado e a intimidade estão em transformação. A conversação comum, a linguagem dos corpos, as artes e a literatura, as agendas política e cultural e a nova Constituição do país refletem essa mudança. 
Anos 1990. Momento novo e ambíguo. Recompõem-se o Estado de Direito e as liberdades democráticas; a sociedade civil está fortalecida e organizada e as novas diretrizes constitucionais trazem a promessa de uma ampliação histórica da cidadania. Por sua vez, o ajuste estrutural, as reformas neoliberais e os governos sustentados por bases conservadoras emperram a efetivação dos direitos e o aprofundamento da democracia. Há fortes tensões entre projetos de sociedade muito diferentes e o jogo democrático não está decidido. 
Turbulências político-institucionais, políticas econômicas que acentuam as desigualdades sociais e o modo de incorporação do país aos processos de globalização quebram expectativas e abalam os movimentos sociais. Porém, as mulheres não arrefecem: os movimentos continuam a expandir-se, ampliam a constelação de suas práticas, auto-transformam-se e seguem apostando nas alternativas democráticas. Há uma nova Constituição a ser implementada, há forças sociais organizadas apostando no fortalecimento de uma cultura de direitos e não-discriminação e há espaços para se inventar outras globalizações. Mulheres e movimentos investem na participação nos espaços onde se elaboram as novas leis e programas de políticas públicas; se debatem as reformas da saúde, da educação e de outras áreas de políticas do Estado; se constroem os conselhos e outros mecanismos de controle social da cidadania; e se desenvolvem ações afirmativas para promoção dos direitos. Mergulham também nos processos nacionais, latino-americanos e globais das Conferências Internacionais da Organização das Nações Unidas, apresentando novos olhares para as questões do desenvolvimento, meio ambiente, direitos humanos, população, discriminação, pobreza e exclusão.
No limiar do novo século, as mulheres em movimento estão em muitos lugares diferentes: academia, terreiros de candomblé, igrejas, sindicatos, parlamentos e partidos políticos, associações comunitárias, ONGs, ministérios, serviços públicos, órgãos do judiciário, organismos internacionais, empresas, rádios, teatros, cinema, jornais e espaços virtuais. 
Os anos 1990 ficam registrados na história como o primeiro ato de nossa contemporaneidade: pós-ditadura, pós-Muro de Berlim, pós-nova Constituição Federal, pós-insurgência da nova onda feminista. Assim chega-se ao século XXI: o feminismo florescido em sua quinta-essência como experiência e crítica da modernidade. Não mais "como uma onda no mar", tampouco "movimento específico", representando meramente reivindicações de um grupo da sociedade. E, sim, o feminismo como força producente de cultura, sociabilidade e energia política, falando "para" e "com" todo o mundo, encorajando esperanças e utopias, dando sua contribuição a um projeto de civilização realmente democrática.

Desigualdades de Gênero no Brasil



A relação entre população e desenvolvimento tornou-se objeto de estudo a partir da Revolução Industrial, ocorrida na Europa em fins do século XVIII. A preocupação dos economistas interessados no tema, de modo geral, era garantir a acumulação de capital, com níveis adequados de emprego e salário (além da competitividade externa da economia) para o crescimento da produção. Asquestões de gênero, meio ambiente, equidade e bem-estar não tinham destaque nas correntes dominantes do pensamento econômico.
A equidade de gênero é considerada pelo Fundo de População das Nações Unidas um direito humano, sendo o empoderamento das mulheres ferramenta indispensável para promover o desenvolvimento e a redução da pobreza. Mulheres com maiores níveis de educação e participação no mercado de trabalho estão, em geral, mais capacitadas para contribuir para a saúde e a produtividade de suas famílias e localidades, criando melhores perspectivas para as novas gerações. A importância da igualdade de gênero é evidenciada pela sua inclusão como um dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). A igualdade de gênero é reconhecida como a chave para se alcançar os outros sete objetivos (UNFPA, 2009).
Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM)
A Cúpula do Milênio (2000) estabeleceu oito objetivos do milênio a serem alcançados em 2015(ODM),
Os países signatários devem:
1. Erradicar a extrema pobreza e a fome;
2. .Atingir o ensino básico universal;
3. Promover a igualdade entre os sexos e a auto  nomia das mulheres;
4. Reduzir a mortalidade infantil;
5. Melhorar a saúde materna;
6. Combater o HIV/Aids, a malária e outras doenças;
7. Garantir a sustentabilidade ambiental;
8. Estabelecer uma Parceria Mundial para o Desenvolvimento.
O Brasil viveu grandes transformações econômicas, sociais e demográficas no século XX. O processo de desenvolvimento foi marcado pela passagem de uma economia primário-exportadora, assentada em bases agrárias e rurais, para uma economia urbana com predominância dos setores industrial e de serviços. O país passou pelos fenômenos da transição demográfica e da transição urbana, por melhorias nos indicadores sociais e por fortalecimento das instituições democráticas e da sociedade civil. Contudo, o desenvolvimento brasileiro aconteceu com aumento da concentração da riqueza e com exclusão social, e só recentemente se inverteram parcialmente os sinais das desigualdades regionais, de classe, de gênero, de raça e geração.
Gênero no Programa Bolsa Família
Estas três políticas públicas (expansão da cobertura da assistência social, valorização do salário mínimo e Bolsa Família) tiveram um impacto positivo na redução da pobreza em termos de classe, gênero, raça e geração, isto é, favoreceram pobres, mulheres, negros e idosos (Cedeplar, 2007; Ibase, 2008; Rocha, 2008). Também tiveram um impacto regional, pois a prioridade é para as regiões mais pobres do país, que recebem, proporcionalmente, maiores recursos decorrentes do aumento do salário mínimo, do BPC/LOAS e do Programa Bolsa Família.
O Programa Bolsa Família teve resultado visível nas relações de gênero ao beneficiar preferencialmente as mulheres como as esponsáveis pelo domicílio (em famílias monoparentais femininas) ou na condição de cônjuge. Segundo Cunha (2007).
A transição demográfica e as relações de gênero
A transição demográfica é um fenômeno único na história humana e ocorre, em geral, de forma sincrônica com o desenvolvimento econômico e social. Entende-se aqui o processo de desenvolvimento na acepção expressa por Singer (1977), isto é, desenvolvimento não meramente como um aumento quantitativo da produção de bens e serviços, mas sim como um processo de expansão qualitativa da divisão social do trabalho, com reconfiguração dos espaços territoriais e melhoria do bem-estar da população.
A redução das taxas de mortalidade e o aumento da esperança de vida são pré-condições para o desenvolvimento econômico e o bem-estar de uma população. A mortalidade precoce interrompe a potencialidade da vida dos indivíduos. A elevada mortalidade infantil é um fardo para a família e a sociedade, especialmente para as mulheres. Toda vida interrompida antes do tempo significa uma subtração não só para o indivíduo, mas para toda a sociedade.
A morte materna é um importante indicador para avaliar as condições socioeconômicas gerais, bem como a qualidade da assistência à saúde das mulheres (Berquó & Cunha 2000; Aquino, 1999; Perpétuo, Wong & Ribeiro, 2006; Martins, 2004; Gomes, 2002). Esses óbitos estão diretamente relacionados a circunstâncias de vida e sanitárias intimamente associadas a construções socioculturais sedimentadas em relação ao lugar e ao papel das mulheres como mães. Entre outros aspectos, os dados disponíveis sobre morte materna informam que há uma correlação importante entre sua incidência e a falta de autonomia reprodutiva das mulheres no que diz respeito à contracepção e, mais especialmente, ao aborto inseguro.
A reversão do hiato de gênero na educação.
Em grande parte do mundo as mulheres têm escolaridade inferior à dos homens. Superar este hiato é uma necessidade, pois os efeitos da educação no empoderamento da mulher manifestam-se no aumento do potencial de geração de renda, na autonomia das decisões pessoais e no controle sobre a fecundidade, além da maior participação na vida pública. Contudo, estes efeitos não são automáticos, pois dependem muito de circunstâncias individuais e dos contextos sociais (nível de desenvolvimento econômico, situação do mercado de trabalho e grau de estratificação sexual) e cultural predominantes.
As mulheres brasileiras entraram no século XXI com níveis educacionais superiores aos dos homens (Beltrão & Alves, 2009), mas nem sempre foi assim. Durante o período colonial as mulheres foram completamente excluídas das poucas escolas existentes. Com a vinda da família real portuguesa ao Brasil, em 1808, e a Independência, em 1822, houve um aumento da oferta educacional, porém, ao sexo feminino cabia apenas a educação primária, com forte conteúdo moral e social, a fim de fortalecer o papel da mulher enquanto mãe e esposa. Já a educação secundária feminina ficava restrita, em grande medida, ao magistério. Na educação superior, as dificuldades de acesso eram mais graves, pois, como já citado neste Módulo, as mulheres foram excluídas dos primeiros cursos de Medicina (1808), Engenharia (1810) e Direito (1827) surgidos no país.
No século XIX teve destaque na luta pela educação feminina a figura pioneira de Nísia Floresta, norterriograndense que, em 1838, criou no Rio de Janeiro o primeiro colégio para moças. Em 1887, Rita Lobato Velho Lopes, gaúcha, tornou-se a primeira mulher a obter o título de médica no Brasil. A luta pela maior inserção feminina na educação teve suas maiores conquistas ao longo do século XX, quando as mulheres foram ultrapassando gradativamente os homens nos diversos níveis de educação, até reverter o hiato educacional de gênero.
Embora a reversão do hiato de gênero para as coortes mais jovens tenha ocorrido desde meados do século XX, nos dados agregados, a reversão ocorreu na década de 1980 e, a partir daí, vem se ampliando a favor das mulheres.
A eliminação das desvantagens educacionais femininas no Brasil foi uma conquista da sociedade.
Isto faz parte de uma mudança mundial de redefinição do papel da mulher na sociedade e de enfraquecimento do sistema de dominação masculino.
Grandes transformações sociais ocorridas no Brasil, como o processo de urbanização e o crescimento do setor terciário da economia, bem como a redução da fecundidade, as mudanças na dinâmica conjugal e familiar e a elevação dos níveis médios de escolaridade tornaram o sexo feminino uma força de trabalho indispensável para o desenvolvimento do país.
Um dos fatores que explicam o aumento das taxas de atividades femininas é a relação positiva que existe entre inserção das mulheres e o nível educacional. À medida que aumenta o nível educacional das pessoas, crescem as taxas de atividade para ambos os sexos.
Trabalho doméstico e mulheres negras
Do total dos empregados no setor doméstico, cerca de 93% são mulheres, existindo um predomínio de crianças, jovens e mulheres negras com baixa renda no desempenho desta função. Se, por um lado, as mulheres negras de baixa renda encontram no trabalho doméstico um espaço laboral relativamente estável, o baixo status desta ocupação coloca-as em um patamar depreciado na hierarquia social e econômica, não oferecendo muitas oportunidades de ascensão social. O trabalho doméstico permanece associado a características raciais e regionais e há uma interseção entre ambas. Mantém-se em nossa sociedade o mito – legado da escravidão – da grande capacidade de homens negros e mulheres negras para trabalhos braçais. Igualmente, persiste a crença sobre a “lentidão” e uma menor capacidade mental de pessoas provenientes de algumas regiões do país, como o Nordeste, que as torna aptas apenas para trabalhos domésticos, como segurança, faxina, cuidado de crianças ou outras similares, fora do leque de trabalhos intelectuais.
A discriminação racial e os lugares socialmente associados às pessoas negras imbricam-se com a condição de pobreza em que vive grande parte desta população no Brasil, numa interseção entre desigualdades sociais, étnico/raciais e de gênero.
Segundo dados da ANDI – Agência de Notícias dos Direitos da Infância, mais de 500 mil meninas estão no trabalho doméstico. Elas não têm direito de brincar porque precisam cuidar de outras crianças, limpar, lavar, passar, cozinhar. É muito trabalho e a e escola fica em segundo plano. Pela lei (Estatuto da Criança e do Adolescente – Lei 8.069/1990), o trabalho doméstico é proibido para menores de 16 anos. A partir daí, as adolescentes têm direito à carteira assinada, ao salário mínimo, a férias, 13º, descanso remunerado. A mesma lei proíbe o trabalho noturno entre 22h e 5h para adolescentes.